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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Onde ela está?

Vejo um sorriso amarelo no espelho,
Não há lágrimas nos olhos, foi só um cisco... Havia eu dito, então.
O pensamento está inerte, inebriado.
Há uma fumaça subindo ao alto, é o desespero por alívio.
No copo de vidro, um vinho barato.
Dia de chuva, estou sentada na calçada, as gotas d'água caem sobre mim,
Porém, nenhuma tempestade é capaz de preencher minha alma vazia.
Sinto vontade 
de gritar, ecoar minhas causas sem justiça.
Mas sei que é inútil.
Gostaria de arrumar duas ou três malas,
Sair por ai, abandonar lugares e pessoas.
Me encontrar!
Estou jogada em algum beco, me perdi no compasso da vida.
Tenho fome de sonhos,
Sede de mim.
Meu quarto é o refúgio, as palavras o consolo que conforta.
Sinto-me doente, um rascunho do que já fui um dia.
Faço coisas sem sentido, não vejo sentido em quase nada.
Me jogo na luxúria, no desejos torpes e assim, dou prazer.
E no fundo, àquela não sou eu, eu nem estou ali.
Entro em um personagem, esqueço minhas "bagagens",
Penso somente naquele momento e que estou fazendo algo (excitante),
Ignorar às vezes é a solução mais próxima que encontramos.
Me sinto meio prostituta, uma vil.
Não finjo orgasmos, mas não dou à mim o que eu realmente preciso.
No verdade eu quero uma conversa qualquer, um abraço apertado,
Ouvidos que não julguem, um coração sincero.
Mas retiro de mim estas necessidades,
E a noite acaba em sexo e depois de sozinha, mais um cigarro queimando.
Uma, duas, três horas da madrugada...
Ainda acordada, procurando alguma leitura interessante, uma saída.
Amanhece o dia, nenhuma vontade de levantar da cama.
As horas passam, momento de reagir! Ninguém pode saber o que acontece dentro de mim.
A tarde chega. Mais um cisco no olho, dois ciscos nos olhos.
E quando anoitece, procuro alguém para perguntar: - Como foi o dia?
Se perguntam sobre mim, é sempre a mesma resposta, fria e direta.
- Está tudo bem, tudo bem.
E nessa análise do que vem acontecendo comigo,
Entendo porque os poetas morrem cedo.
Na verdade, muitos morrem aos poucos, ainda em vida.
A morte corporal foi só o estopim.
Todos os dias, um pouco de terra,
Enxada na mão, terra ...
Enxada na mão, terra ...
Buraco fundo, corpo estendido.
Não há forças para mover-se, nem vontades para estar vivo.
Como disse Renato Russo, que entre vocês já não mais está;
- Vem de repente um anjo triste perto de mim,
  E essa febre que não passa,
  E meu sorriso sem graça,
  Não me dê atenção.
  Mas obrigado
  Por pensar em mim.


By: Larissa Lunelli, 14:13 da tarde 17/10/2013 

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