Pesquisar este blog

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Cativeiro

Sonhando alto meu bem (...)
Voamos alto, muito alto.
Carregamos dores maiores do que pensávamos suportar,
Éramos tanto, éramos cegos e loucos.
Éramos uma paixão louca, um frêmito sem momento para acabar!
Fomos um casal bonito, até os olhares alheios nos enxergarem.
Até o ponto em que nossos fantasmas ainda não estavam soltos.

Mas sabe-se, para todo fim há um momento de acabar.
É uma redundância, eu sei. Das maiores, é sim.
Mas custou, 
Sofremos para entender que o fim, é fim sim.
E que tudo que continuar depois dele é só sofrimento.
E que é melhor encarar as nossas feiuras no espelho,
Pois não há como exigir o sol onde cai apenas chuva.

E sei que parece estranho,
Já nos deitamos e nos deleitamos um no amor do outro,
E juramos tanto sentimento, tantos planos (...)
E agora passamos despercebidos um pelo outro,
Exatamente como dois desconhecidos.
Nos encaramos com gestos educados,
Dignos de uma mera convenção social entre dois estranhos,
Mas nossos olhares se reconhecem mesmo que friamente,
Eles guardam segredos eternos, aos quais jamais revelaremos.

Não te recordei pelo simples fato de teres sido o primeiro,
Mas de maneira singular tu me marcaste.
As vezes tuas lembranças vem com contornos bons,
Outros ruins.
E mesmo assim, não guardo mágoas de nós.
Apenas sei que de uma forma ou outra,
Foi preciso que as coisas ocorressem da maneira como foram.

Confesso, eu sabia que te encontraria lá.
Não é perseguição, muito menos quis lhe provar algo.
Somente senti necessidade de vê-lo outra vez.
Sem dizer nada, sem nem mencionar quem sou (...)
Precisava passar por ti e ver que estás bem,
Levando sua vida da forma que sempre foi. 
E que me superaste, que todo aquele caos já passou.
Diga que passou (...)
Perdoe-me a indiscrição.

Eu sei, foi naquele bar.
É o que nos restou.
Dentre as voltas que a vida dá,
Não existe quem está por cima ou por baixo,
No fim a vida toma o rumo que  nós deixamos ela tomar.
E assim foi conosco.
Me conheceste menina,
Hoje sou mulher!
E jamais atenderia tuas expectativas,
Mesmo que ainda estivéssemos unidos (...)
Você não sabia,
Mas eu precisava crescer.

Deixei à muito tempo de ser Lady,
Agora sou apenas Eu.
Sou o que posso.
Sou o que aprendi a Ser.
E por isto te digo,
Obrigada por me deixar ir.

Por Larissa Lunelli.