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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Confessionário

O silêncio faz barulho quando é de dentro,
Tem dias que dizer nada é falar tanto,
Tanto que até o pouco é muito (...)

Se queres saber minhas verdades,
Não dê total atenção ao que diz minha boca,
Olhe em meus olhos, eles não sabem mentir (...)

Quantas vezes eu disse; - Está tudo bem, estou feliz!
Só para que não perguntem o motivo da tristeza,
E toda minha frieza tem um pouco de dor própria (...)

Tantas vezes eu disse; - Não!
E tudo que eu queria era que você insistisse ...
Em muitas outras, eu só quis que você me entendesse, nada mais (...)

Por trás da minha máscara, existe uma mulher frágil,
Que ainda acha lindo demostrações bobas de afeto,
Gentileza por ternura, não por educação (...)

Vive um oposto dentro dentro de mim,
Tem dias que eu quero liberdade, voo alto!
Outros, eu quero um travesseiro fofo e alguém no meu colchão (...)

Quase sempre controlo meus "impulsos afetivos",
Mas nunca consigo controlar meus desejos,
Beijos e abraços são fáceis, o amor é a parte difícil para mim (...)

E toda minha segurança balança quando o coração vem falar,
Eu afogo meus medos quase sempre num vinho,
De repente estou nua por fora, mas cheia de armaduras por dentro (...)

Ainda tenho necessidades bobas, vontades simples que ignoro,
Gosto de jogar conversa fora, rir, sair sem planos, amar sem fazer amor.
Mas hoje é difícil, não encontramos nem amigos e nem amor verdadeiro (...)

Nos acostumamos com vazios,
Vazios que nada e nem ninguém preenchem,
No fundo, queremos segurança, mas como?

Se nos roubaram o dia, a maior parte da semana ...
E restam apenas as noites, a sexta-feira e no domingo já estamos entediados.
O que sobrou? O domingão do Faustão, a ressaca de amor que a bebida não curou (...)

Segunda-feira bate o desânimo. Mas não é porque você precisa trabalhar.
E sim por ela te lembrar que a vida continua a mesma, os problemas estão ali, nada mudou. Não há expectativa de recomeços.
A mídia, o mundo, a "diversão", lhe dá uma dose de falsa alegria em dois dias da semana, para outros, apenas na primeira semana do mês. É só (...)

Vivemos de alívios parcelados, nunca de soluções reais.
E quando chegamos da festa e a noite não é mais uma criança,
Essa criança chora dentro de nós, os móveis no mesmo lugar, a cabeça longe e perdida (...)

Nos unimos no Natal,
Temos esperanças no ano novo,
E rimos no carnaval (...)

Porém, o ANO NOVO nunca chega,
É sempre mais do mesmo,
Uma dose mais forte para controlar a solidão (...)

Somos idiotas, peças jogadas no mundo virtual,
Somos cartas fáceis no jogo do interesse,
Somos o que sustenta a maldade, o capital (...)

Tudo o que somos é um nada,
Lutamos por atenção, por verdades, dignidade ...
Mas seguimos vivendo de migalhas de momentos (...)

Contando os feriados no calendário,
Esperando o aumento do sindicato,
O amor que nunca encontramos no pate-papo (...)

Somos vítimas de nós,
Somos o que devemos ser,
Mas nunca o que realmente somos (...)


http://www.youtube.com/watch?v=75wrC55F_0A&hd=1

By: Larissa Lunelli 13/10/2013 23:40 da noite

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