- Desculpe-me, entrei sem bater na porta.
- Desculpe-me, mas entrei!
Então você diz: - Entraste por quê?
Eu te digo: - Não sei. Sempre fiquei a olhar tua porta, as janelas, a paisagem do teu jardim. Pensei inúmeras vezes em bater nesta porta, pois sentia e senti saudades de sentar-me por uns instantes de frente à ti e perguntar-lhe; - Como vai você? E não é ironia, não mesmo. Tu passaste pela minha vida, tua presença passou... Mas, tua (pessoa) ficou. Sabe aquele alguém que apesar dos problemas todos, ainda consegue nos arrancar um sorriso quando lembramos desta pessoa? Então, assim tu és.
Você foi ventania na minha vida, mas também foi dia de sol, foi arco-íris. E isto foi o que eu trouxe comigo até aqui.
Me perdoe se por um acaso eu bati na tua porta sem pretensão, sem texto pronto ou um pacotinho de esperanças no bolso.
Sabe, eu tenho essa estranha mania de querer que os especiais fiquem, não importa de que jeito ou maneira. Burrice a minha, afinal as pessoas se dispõem até certo ponto, até o momento em que não dói.
Não foi insensibilidade, nem desejo de lhe causar um redemoinho pessoal.
Foi apenas aquela necessidade misturada com uma coragem absurda de bater em sua porta para saber...
- O que aconteceu? Até hoje, não entendi.

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